IMUNOBIOLÓGICOS OU ANTI-INFLAMATÓRIOS: OS TRATAMENTOS DISPONÍVEIS PARA ESPONDILOATRITES

Com o advento dos imunobiológicos, o papel do anti-inflamatório no tratamento das espondiloartrites axiais passou a ser mais questionado. A Sociedade Mineira de Reumatologia promoveu uma análise profunda para avaliar a atuação desses medicamentos nas patologias, visando guiar os novos reumatologistas no tratamento da doença, que geralmente, optam por medicações mais novas.

A metodologia do trabalho para a análise
1) Elaboração de perguntas pela comissão de espondiloartrites;
2) Estratégia previamente definida de busca na literatura por evidências remanescentes de 2014 até a atualidade;
3) Meta análise ou busca em artigos individuais, caso as questões não tenham sido respondidas.

Os resultados foram utilizados para responder as perguntas previamente desenvolvidas. Após isso, foi realizada votação anônima para definir o nível de concordância entre os especialistas.
Seguindo protocolo utilizado por organizações internacionais, foi considerado que os medicamentos anti-inflamatórios são a melhor opção no tratamento inicial das espondiloartrites axiais. Na maioria dos ensaios clínicos com tratamento precoce, o resultado da remissão da doença é de 35%. Em pacientes com a doença estabelecida entre dois e oito anos, os índices de remissão ficaram entre 15% e 20%. Somado a isso, não existe evidência de melhor evolução do paciente virgem em tratamento anti-inflamatório e que inicia o tratamento somente com imunobiológico. Além disso, o anti-inflamatório tem um melhor custo benefício.

Uso do anti-inflamatório
Inicialmente deve ser considerado um alvo terapêutico, utilizando um índice de atividade de doença. A partir do alvo atingido, é possível começar a redução do medicamento ou sua utilização por demanda. As evidências não apontam tempo de tratamento, mas a tendência é manter uma dose contínua até bom controle de doença e, posteriormente, iniciar a redução gradual ou utilizar a medicação conforme a necessidade do paciente.

Em relação à saúde do paciente, a meta análise não encontrou diferença significativa entre placebo e o anti-inflamatório, em termos de eventos adversos gerais ou necessidade de descontinuação do tratamento. Em relação ao risco gastrointestinal, deve-se analisar quais pacientes são mais predispostos a ter eventos adversos: 60/65 anos; que tomam anticoagulante; diabéticos ou hipertensos; e pacientes com espondiloartrite enteropatica. Não é proibitivo, mas é importante controlar o uso e a necessidade de uso de gastroprotetor.

Em relação à disfunção renal, é muito pouco prevalente e a recomendação é que o uso seja condicional com o paciente evitando o uso excessivo e monitorando a função renal.
Os estudos ainda indicaram a relação entre o uso de anti-inflamatórios e o aumento do risco cardiovascular. Porém, há a hipótese que exista a diminuição à medida que a doença inflamatória é tratada. Por isso, o tratamento com esses remédios de qualquer forma se mostra mais benéfico que maléfico.

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