EXERCÍCIOS FÍSICOS PARA PACIENTES REUMÁTICOS FUNCIONAM?
31 de março de 2022

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 15 milhões de pessoas, entre crianças, adultos e idosos, sofrem com doenças reumáticas. O cotidiano é de dores e comprometimento das articulações, tendões, cartilagens e órgãos, ossos e músculos. Os estudos indicam que a prática de atividades físicas é muito eficiente para conter parte desses sintomas, apesar de não ter uma adesão de todos os portadores de reumatismo.
O estudo
Um estudo conjunto dos pesquisadores do Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia (Lacre) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP) e do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição, ligado à Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, confirmou que a prática de exercícios físicos, dentro de casa, comparados a atividades em academias e centros especializados, proporcionam, sim, resultados eficazes e seguros.
O curioso e bom dessa notícia positiva é que, em tempos de pandemia, muitos pacientes com doenças reumáticas, infelizmente, tiveram de parar com as atividades rotineiras, devido às medidas sanitárias, como o fechamento das academias, parques e praças. O impacto do lockdown também foi para pessoas que contavam com a ajuda de instrutores especializados, já que muitos não puderam continuar seu trabalho, principalmente, com indivíduos que são desse grupo de risco. Nesses casos, a pesquisa revela que os cientistas tocam no ponto da importância e necessidade de recursos digitais para direcionar o treino de quem tem reumatismo.
Mas, como assim recursos digitais?
Pois bem, diversas pessoas tiveram que se reinventar durante a quarentena, quer seja na vida social, na rotina em casa ou no trabalho. No caso de profissionais da área de educação física, muitos adotaram as aulas e acompanhamento on-line, via videochamada, com aulas individuais ou em grupo, mantendo o trabalho, sem riscos. Atualmente, é possível assinar planos mensais com custo fixo muito inferior, em relação aos valores das academias e, o melhor, com a mesma qualidade.
Impasse
Por outro lado, o grande impasse fica na baixa adesão de pacientes com doenças reumáticas aos exercícios físicos, principalmente, em casa. O fato é que muitas pessoas ainda têm bastante preconceito e não acreditam em tratamentos para doenças que não sejam medicamentosos, como o cuidado com a alimentação e a prática de atividades moderadas. Antes da pandemia, isso já era um problema, levando muitos especialistas a chamarem a atenção para a necessidade de os médicos educarem seus pacientes da melhor forma, explicando ponto a ponto da importância do tratamento não medicamentoso. Porém, o agravante veio com a crise sanitária. Aqueles que já realizavam exercícios em academias ou faziam personal ao ar livre, tiveram suas práticas cortadas e, não são todos que acreditam na eficácia dos exercícios em casa e com recursos digitais. Na verdade, nem todas as pessoas conheciam essa proposta. Então, além das pessoas que já não eram adeptas ao tratamento não medicamentoso de atividades físicas para conter os sintomas de reumatismo, outras que faziam o tratamento, hoje, não fazem mais.
Dessa forma, mais uma vez, é essencial e necessário ensinar sempre nas residências de Reumatologia e também nas especializações que o médico precisa estar atualizado e disposto a oferecer todo o suporte de ensinamento ao paciente, pois, assim, conseguirá melhores resultados.

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