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Doenças reumáticas autoimunes e a importância da vacinação
6 de setembro de 2019

Os dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças reumáticas que atingem, principalmente, as articulações, afetam mais de 12 milhões de brasileiros. Engana-se quem pensa que as enfermidades causam prejuízos apenas às articulações. Além das possíveis sequelas que podem desencadear, principalmente, nos rins, pele e coração, já está comprovado que os portadores de doenças reumáticas autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren e espondilite anquilosante, são mais suscetíveis a doenças infecciosas.

A maior prevalência de doenças infecciosas entre portadores de doenças reumáticas, quando comparados com a população em geral, deve-se a deficiência imune da própria doença e, também, pelo uso de terapia imunossupressora.

As doenças autoimunes são um desequilíbrio no sistema imunológico, resultado da produção de anticorpos que, em vez de protegerem, passam a atacar o próprio organismo. Os medicamentos imunossupressores são utilizados, portanto, para bloquear o sistema de defesa, amenizando os sintomas da doença ou inibindo o aparecimento. Os mecanismos de defesa ficam comprometidos com os medicamentos, apresentando menor resistência às infecções.

É fundamental os portadores de lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren e espondilite anquilosante, entre outras doenças, estarem em dia com as vacinas, pois é uma das formas mais eficazes de prevenção de doenças infecciosas e, consequentemente, como medida para a redução da mortalidade.

As infecções respiratórias são comuns, principalmente, durante os meses mais frios do ano. A recomendação é a imunização contra o vírus da gripe e da pneumonia, vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo ainda vacinação contra hepatite e, antes de iniciar o tratamento com imunossupressores, contra febre amarela e herpes-zóster.

O reumatologista deve indicar as vacinas que precisam ser aplicadas e esclarecer sobre a imunização, orientando e criando, conjuntamente, um calendário de vacinação. Cada caso exige uma conduta, mas, geralmente, espera-se a estabilização da doença para a imunização.

Mais de cem doenças autoimunes já foram catalogadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e podem ser específicas de um órgão ou sistêmicas, quando a autoimunidade provoca danos em vários órgãos ou tecidos. O segundo grupo envolve as doenças reumáticas citadas anteriormente e, em geral, as mulheres são o principal grupo acometido, representando 90% no caso de lúpus. A estimativa é uma em cada 1.700 brasileiras apresentar a enfermidade.

Em decorrência da vulnerabilidade do sistema de defesa, a prevenção com vacina, especialmente contra as doenças infecciosas, é fundamental para garantir a longevidade desses pacientes. A recomendação é uma maior conscientização sobre a importância de manter em dia o calendário vacinal e que quem sofre com doenças reumáticas autoimunes tenha acesso ao tratamento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

*Mariana Peixoto – Vice-Presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia

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