Qual é a diferença da Granulomatose de Wegener com reumatismo?

Muitas pessoas se questionam o que é a Granulomatose com Poliangiite (GPA), também conhecida como Granulomatose de Wegener. Tem algumas que até confundem com reumatismo. Na verdade, é uma doença rara, autoimune, quando o organismo cria anticorpos para se defender de si mesmo, provocando inflamação dos vasos sanguíneos e reduzindo o fluxo de sangue para órgãos e tecidos. Na dúvida, parte da população, acredita que a patologia faça parte do grupo das doenças conhecidas como vasculites. 

A boa notícia é que os tratamentos disponíveis são responsáveis pela inibição do desenvolvimento da doença e alívio dos sintomas. A notícia ruim é que ainda não há cura para GPA, situação que deixou o problema  por muito tempo, associado a desfechos fatais. 

O interessante é que algumas pesquisas de universidades de medicina e tambémpublicações em revistas científicas já indicam um grande avanço no tratamento da GPA. Para você ter uma ideia, um artigo publicado pela Revista de Medicina da USP, em 2018, por exemplo, apontou que a taxa de mortalidade entre as pessoas que não fazem o tratamento adequado é superior a 80%, enquanto, entre quem segue as recomendações médicas, é inferior a 20%.

Vale alertar, que, mesmo não pertencendo ao grupo de doenças reumáticas, é importante abordar sobre a Granulomatose com Poliangiite, afinal, em muitas situações, pode acontecer um diagnóstico equivocado de GPA como mialgia, artralgia ou artrite inflamatória não erosiva, o que não tratará corretamente uma enfermidade tão séria.

. Quais são as causas? 

Não existe ainda um consenso sobre a causa da Granulomatose com Poliangiite. A comunidade científica acredita que algum componente genético influencie a aparição do problema. 

Também pode ser que existam outras causas, como o estresse, mas, ainda, não existe comprovação científica para essa hipótese. 

. Fatores de risco

Embora a causa da GPA seja desconhecida, a doença é mais comum entre homens brancos, mas sem excluir outros grupos étnicos. Os sintomas começam a aparecer dos 40 aos 50 anos. 

. Quais são os sintomas?

Os sintomas da GPA surgem de forma gradual, atingindo o trato respiratório superior, seguido pelo inferior até a inflamação chegar aos órgãos vitais; ou pode se manifestar de forma organizada e aguda, comprometendo órgãos e sistema respiratório ao mesmo tempo. 

. Trato respiratório superior: alguns sinais no trato respiratório superior são dores nos seios paranasais (ossos da face que se comunicam com a cavidade nasal), secreção amarelada, viscosa e sangramento nasal, sinusite, perfuração do septo nasal, respiração ofegante e dor na laringe.  

. Trato respiratório inferior: os sintomas no trato respiratório inferior são inflamação dos brônquios maiores, respiração ofegante, pneumonia, dor no peito, falta de ar e tosse produtiva.

. Ouvidos: perda auditiva, vertigem, otite e as orelhas média e interna são afetadas.

. Olhos: os primeiros sintomas são conjuntivite, uveíte ou vasculite, inchaço dos olhos, obstrução do sistema de drenagem responsável pelo descarte de lágrimas e, em último caso, perda total da visão.

. Sistema nervoso: lesão no nervo óptico, lesões cerebrais e extensão de lesões de locais contíguos. Quem tiver algum ferimento nos seios nasais provocado pela GPA, corre o risco de desenvolver neuropatia craniana, proptose, diabetes insípida ou meningite. 

. Sistema musculoesquelético: ocorre mialgia, artralgia ou artrite inflamatória não erosiva

. Rins: inflamação de vasos capilares, alterações na urina, edema e hipertensão.

. Coração: em alguns casos, a GPA pode desenvolver doença coronariana.

. Pele: reação alérgica, elevação na pele e lesões. 

. Quando consultar um médico? 

Na maioria das vezes, o diagnóstico da Granulomatose com Poliangiite é feito com testes laboratoriais de rotina, mas o resultado definitivo só com biópsia. A recomendação é que ao perceber sintomas respiratórios crônicos e inexplicáveis, sobretudo, se junto de algum tipo de manifestação sugestiva em outros órgãos (especialmente os rins), é a hora de procurar um profissional da saúde. 

. Tratamento

Assim como todas as doenças autoimunes, a GPA não tem cura e, sim, um tratamento medicamentoso para impedir a evolução. As medicações mais usadas são os corticoides e os imunossupressores, receitados em doses mais baixas, comparando com pessoas que fazem tratamento contra o câncer. 

Outro recurso está nos tratamentos com anticorpos monoclonais, proteínas que o sistema imunológico usa para identificar e neutralizar os corpos estranhos. Contudo, essa abordagem só acontece, caso os corticoides e imunossupressores não resultem em melhora.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *