Gota: Mudar hábitos é recomendação
15 de novembro de 2019

A gota é uma doença reumatológica decorrente do excesso de ácido úrico no sangue ou de uma eliminação deficiente que, quando depositado nas articulações provoca inflamações. O problema não tem cura e se manifesta em crises recorrentes que, sem tratamento, causa várias consequências. A mudança de hábitos é uma das principais formas de prevenção.

A causa é uma combinação de dieta e fatores genéticos que provocam  ataques recorrentes de artrite aguda nas articulações, decorrentes da precipitação de cristais de ácido úrico. O quadro começa com dor intensa, frequentemente durante a madrugada, podendo acordar a pessoa. Embora qualquer articulação possa ser afetada, o hálux (dedão) é a articulação mais frequentemente envolvida na primeira crise com dor, inflamação com presença de calor, rubor (vermelhidão) e inchaço.

As crises podem ser contínuas com dor e deformidade nas articulações. Os depósitos de cristais de ácido úrico podem surgir debaixo da pele, formando protuberâncias nos dedos, cotovelos, joelhos, pés e orelhas, assim como também a formação de cálculos renais, levando a cólicas.

O excesso de ácido úrico é decorrente de uma dieta rica em carnes, frutos do mar, embutidos, enlatados e álcool ou de um defeito do rim em eliminar a substância. A gota está associada a outras doenças, como obesidade e hipertensão arterial, ou ao uso de alguns medicamentos.

O diagnóstico é feito com história clínica associada a exames, sendo que em alguns casos, será necessária a punção da articulação para análise do líquido sinovial. O problema é mais comum em homens de 40 a 50 anos com sobrepeso ou obesos, vida sedentária e usuários frequentes de bebidas alcoólicas e, entre as mulheres, após os 60 anos, na pós-menopausa e, normalmente, associado ao uso de medicamentos.

O tratamento usa anti-inflamatórios não esteroides, corticoides ou colchicina e após a melhora, os níveis de ácido úrico podem ser controlados com alterações no estilo de vida ou indicação de medicamentos.

A doença pode se tornar grave em casos raros, especialmente, quando não tratada, as crises se tornam crônicas e os rins podem ser afetados. A gota não causa morte, mas está intimamente relacionada a outras condições potencialmente letais, como diabetes, hipertensão e obesidade.

A prevenção inclui adoção de um estilo de vida mais saudável, já que o surgimento da doença está diretamente relacionado ao metabolismo. A recomendação é praticar atividades físicas, controlar o peso, manter dietas pouco calóricas, com baixa ingestão de carboidratos, evitando o consumo de alimentos ricos em proteína de origem animal e frutos do mar; aumento do consumo de frutas, hortaliças, leite e derivados; adequada hidratação e restrição de bebidas alcoólicas.

A doença não tem cura, mas o acompanhamento com Reumatologista permite controlar as condições e manter a qualidade de vida.

Maria Fernanda Guimarães, membro da Sociedade Mineira de Reumatologia

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