CENÁRIO ATUAL DA COVID E POSSIBILIDADE DO RETORNO ÀS AULAS

As dúvidas em relação à situação atual da pandemia e suas consequências não param de crescer. O início da vacinação e os mais de um ano do isolamento social no Brasil geram todos os dias ansiedade nas pessoas e a maior busca por respostas concretas e de especialistas no assunto. Pensando nisso, o Dedo de Prosa conversou com o Doutor Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, que esclareceu em qual momento da Covid estamos vivenciando e também sobre o possível retorno às aulas.

Segundo ele, apesar da capital mineira ocupar um cenário mais tranquilo em relação às outras capitais, os brasileiros se encontram no pior momento da pandemia. Belo Horizonte conseguiu se manter menos afetada porque foi decretada a redução da mobilidade urbana na cidade em virtude das festas de fim de ano, freando o avanço no Carnaval. Porém, a situação segue instável e a qualquer momento a realidade pode ser alterada, de BH e de qualquer outra cidade no Brasil.
Outro ponto discutido foi a chegada das vacinas que causou uma falsa sensação de que o contexto social está sob controle. Porém, Dr. Estevão afirma que o vacinado, além de ainda poder se contaminar, ele também continua transmitindo o vírus. Os modelos matemáticos descrevem que o melhor cenário para se falar em um efeito rebanho (efeito de proteção em massa) é de 60 a 70% de taxa de vacinados e acrescenta que é difícil prever uma data para que isso ocorra, mas que deve girar entre agosto e setembro, caso conclua a previsão de que nos próximos meses aconteça uma aceleração da vacinação. Ademais, é importante ressaltar que depende também da efetividade da vacina contra as variantes do vírus.

Outro ponto que está intimamente relacionado com as variantes da Covid é a volta às aulas. Desde o início da pandemia, os especialistas e as autoridades políticas discutem como se daria o retorno às atividades escolares. A ideia era de que na segunda semana de março isso pudesse acontecer em Belo Horizonte, mas como não houve uma redução no contágio, pelo contrário, foi necessário o fechamento das atividades não essenciais para conter o avanço do vírus e a lotação dos leitos de UTI nessa mesma semana. Além disso, as variantes atuam de forma mais sensível nos receptores das células para o vírus. Crianças abaixo de seis anos têm menos receptores, mas com a maior sensibilidade do vírus a eles, não é possível definir que o contágio e transmissão são menores por esse grupo.

A dúvida que surge é: as escolas não deveriam estar funcionando ao mesmo tempo em que há a flexibilização de outros setores, considerados não essenciais? A resposta é: reabrir as escolas significa colocar, obrigatoriamente, 800 mil pessoas nas ruas de Belo Horizonte (diferente da ida em bares ou lojas). Ou seja, é movimentar o número populacional de uma cidade de médio porte dentro da capital.

Por fim, o Doutor Estevão Urbano deixou a mensagem à população de não deixar “a peteca cair”, não desistir no fim do jogo, já que a vacina chegou e que o fim da redução da mobilidade está próximo e é palpável.

Assista ao Dedo de Prosa com o Doutor Estevão Urbano clicando aqui.

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