Muito além de uma dor na coluna

Espondiloartrite é o nome dado a um grupo de doenças reumáticas intimamente relacionadas e que afetam a coluna (espondilo) e outras articulações periféricas, principalmente, da bacia e membros inferiores.  É estimado que um indivíduo a cada grupo de 200 pessoas, manifeste a doença.

A doença já foi denominada como espondiloartropatia e, informalmente, é denominada, espondilite. O termo soronegativo pode às vezes preceder qualquer uma dessas denominações e, simplesmente, significa que, certos anticorpos comumente associados à artrite reumatoide e outras doenças reumáticas, não estarão presentes no exame de sangue.

Todas as formas de Espondiloartrites, incluindo a espondilite, são doenças crônicas, sendo que a espondilite anquilosante é a mais clássica. Uma pessoa diagnosticada com espondilite terá a doença em algum grau de comprometimento, pelo resto da vida..

Sintomas

É importante salientar que a evolução da doença varia de forma singular, conforme cada pessoa. Tipicamente, os primeiros sintomas são dor e rigidez na coluna lombar baixa e nas nádegas, aparecendo em semanas ou meses, gradualmente. Às vezes, a dor e a rigidez podem ser severas. Inicialmente, aparece somente dor de um lado da nádega ou alternada e a dor e a rigidez são comumente piores pela manhã e durante a noite, mas podem melhorar com um banho quente ou um exercício leve de alongamento. Dores e rigidez em outras áreas do corpo, tais como os ombros, as costelas, os quadris, joelhos, calcanhares, também podem estar presentes.

A inflamação sistêmica é uma característica fundamental, detectada em exames laboratoriais de rotina, que ajuda a distinguir espondiloartrites de outros tipos de artrites, como osteoartrite ou artrose.  A espondiloartrite melhora com a atividade física e piora com o repouso. Sempre observar a rigidez pela manhã de pelo menos 30 minutos.

Sexo

 A doença é mais em homem. As mulheres podem apresentar a forma mais leve, inicialmente e, menos típica, tornando-se na fase inicial, um diagnóstico mais difícil, evoluindo, posteriormente, de forma semelhante, numa proporção de 2:1 ou menos 1:1.

A Espondiloartrite também pode ocorrer em crianças e adolescentes, ou mais tarde, entre os 40 e 50 anos, mas, usualmente, tem início na faixa dos 20 aos 40 anos.

 Fator genético

 Ainda na Década de 70, cientistas descobriram uma associação de um marcador genético HLA B27 com a espondilite. Enquanto esse marcador é encontrado, normalmente, em 8% da população branca, por outro lado, mais de 90% dos pacientes brancos com espondilite têm esse marcador, com a presença do gene HLA B27 positivo. A conclusão é que quando se identifica esse gene HLA B27, não necessariamente se diagnostica espondilite, mas pode ser uma importante pista para o diagnóstico.

Há também estudos sugerindo outros fatores causadores dessas doenças, como tipos específicos de infecções que podem desencadear e, até mesmo, provocar alterações na flora intestinal. Entretanto, os gatilhos ambientais são desconhecidos pela maioria das pessoas que desenvolve espondilite. Há muita pesquisa que precisa ser feita para entender melhor por que certas pessoas adquirem essas doenças.

Cura

Não há cura definitiva, mas já existem tratamentos eficazes, incluindo medicamentos orais e injetáveis, exercícios regulares e várias terapias complementares. Os exercícios preventivos específicos e hábitos de uma boa postura, uso continuo de drogas anti-inflamatórias e monitoradas com exames são a base do tratamento, funcionando bem em quase 50% dos casos. Se os anti-inflamatórios não são capazes de reduzir os sintomas de maneira eficiente para o paciente tornar-se capaz de exercer suas atividades diárias de forma adequada, na sua rotina diária, o médico pode sugerir o tratamento com drogas imunobiológicas. As drogas podem ser mais efetivas em casos moderados e severos. Embora nem todo paciente precise dessas medicações mais modernas, o acompanhamento dos efeitos colaterais e as contraindicações tornam-se primordiais. Outra indicação mais especifica dos imunobiologicos é a necessidade da ação em olhos, pele e intestinos.

Converse com o especialista

O médico reumatologista é especialista no diagnóstico das espondilites, embora um bom clínico geral, ou um ortopedista com um bom treinamento em reumatologia sejam capazes de suspeitar e encaminhar o caso. Um exame físico adequado, um raciocínio clinico direcionado, incluindo raio x, a história médica familiar com a presença de casos na família, além de testes sanguíneos, incluindo o HLA B27, são fatores positivos que permitem o correto diagnóstico.

Espondiloartrite

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