Desconhecimento complica doenças reumatológicas

O reumatismo é uma realidade no cotidiano de 15 milhões de brasileiros como uma referência a mais de cento e vinte doenças, afetando, principalmente, as estruturas articulares e musculares. Um tratamento inadequado compromete a qualidade de vida e provoca uma série de impactos sociais. É importante conhecimento sobre as doenças, pois, algumas delas têm elevado potencial incapacitante, como a lombalgia (dor nas costas), principal causa de afastamento do trabalho no Brasil em 2016, conforme o Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

As artistas internacionais Selena Gomez e Lady Gaga impulsionaram a disseminação de informações importantes na mídia sobre as doenças reumáticas – lúpus e fibromialgia -, respectivamente, depois de assumirem conviver com esses problemas. O reumatismo ainda é cercado de mitos. Acredita-se, por exemplo, que as doenças reumáticas “atacam no frio”. O fato é que as temperaturas mais baixas apenas aumentam a sensibilidade e a percepção dolorosa. Ao contrário da crença comum, as patologias não estão restritas à terceira idade e incidem também em jovens, crianças e bebês. Nas pessoas mais novas, os sintomas são semelhantes aos de adultos, como dor e rigidez nas articulações, sendo que alguns problemas – febre reumática (FR) e artrite idiopática juvenil (AIJ) são os mais frequentes, podendo levar a danos e limitações permanentes.

Os problemas mais comuns entre adultos são osteoartrite (popularmente conhecida como artrose), fibromialgia, artrite reumatoide (AR) e lúpus eritematoso sistêmico (LES), acometendo mais o público feminino.

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A AR chama atenção dos especialistas entre as enfermidades decorrente da elevação dos diagnósticos e do avanço da engenharia farmacêutica com novos compostos mais específicos para  tratamento. Alguns estudos recentes sugerem que, até 15 anos antes do acometimento das articulações, ocorre um aumento silencioso de substâncias relacionadas ao problema. Mesmo sem sentir nada, o organismo da pessoa já passa por mudanças rumo à doença. Por isso, também, é tão importante aprimorar o diálogo entre médico e paciente.

Uma pesquisa encomendada pela Pfizer entrevistou 1736 reumatologistas e 3987 adultos com a patologia. Os resultados apontaram um déficit de comunicação. Cerca de 65% dos profissionais afirmaram que os pacientes não são sinceros sobre o estado de saúde, enquanto 72% dos portadores do transtorno não se sentem à vontade para debater os questionamentos com o médico.

A osteoporose é outra doença complexa tratada pelos reumatologistas, sendo causada pela degradação estrutural da matriz óssea e diminuição da densidade mineral dos ossos. O problema não mata, mas causa deformidades e fraturas. A estimativa da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) para os próximos dez anos revelam que o número de fraturas de quadril ao ano, relacionadas à osteoporose, atualmente em 121.700 fraturas, deverá atingir 140 mil pessoas, até 2020. Entre os fatores de risco, estão a predisposição genética, uso abusivo de remédios à base de corticoides, sedentarismo, envelhecimento e dietas pobres em cálcio.

Ainda não se pode falar em cura para o reumatismo. Se a pessoa nasceu com predisposição genética, um gatilho poderá deflagrar patologias do gênero, em qualquer momento da vida. A palavra-chave é conhecimento. Informação  é construir um futuro melhor para  milhares de pessoas diagnosticados com o problema. As campanhas de esclarecimento são de extrema importância para reverter esse cenário. Todos devem contribuir para essa causa que, muitas vezes, é silenciosa no início.

Viviane Angelina de Souza, presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia (SMR)

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